Música: DOGMA e a Psicologia




Hello!

        Quem me conhece sabe que sou muito fã da banda the GazettE e isso inclui, obviamente suas letras. o Fato é que uma interpretação possível da música intitulada DOGMA - do albúm de mesmo nome -, feita por uma fã, me pareceu deveras interessante, sobretudo porque consegui associá-la com minha profissão de psicóloga. 
          Antes de iniciar a análise, disponibilizo a tradução da letra na íntegra:


DOGMA

Os disfarces estão em decadência
Os crimes que eles falam de um mundo em declínio
Ganância morre através da nossa própria ubiquidade

Eu nego tudo
Eu nego tudo isso
Eu nego tudo

Enquanto eu aceito a escuridão, seu isolamento se torna cerimônia
A verdade precisa existir lá

Eu devoro a ideologia de multidões frenéticas,
E cubro eles com "uma escuridão que não deve misturar"

A concretização dessa ideia, aberrante do rebanho, desafia Deus
Eu vou ser um Deus sem cérebro

Destinado a rastejar por essa terra - então dance com a escuridão,
Tornando-se um ídolo, uma certeza

Eu vi a maneira como a ganância morre
Não há dúvidas em minha mente

[Crime]
Rebanho de marionetes iguais
Ódio crescente
Tenho pena de você
[Crime] 
Odeia sua vida
Rebanho de marionetes iguais 
Ódio crescente

Derrubando Deus, aqui nó vamos oferecer morte

Suas vozes incontáveis lá fora, sigam o som do meu aplauso
Vamos nos tornar escuridão e trazer a morte mais perfeita

Eu vou envolver esse mundo em escuridão
A escuridão desse mundo
Começa hoje a noite

             Pois bem, Ruki, vocalista da banda, comentou sobre a proposta da música. Afirmou: "É o estado onde a banda se encontra no momento. E nossa posição enquanto tentamos passar por esse estado. O título dessa música reflete fortemente isto. Ao mesmo tempo, certa antítese está presente."
               Nesta música, a banda retrata uma série de situações muito voltadas obviamente para o meio musical o qual se encontram. Contudo, a partir da análise de uma outra fã, pude fazer algumas comparações com a psicologia as quais me debruçarei mais profundamente.
                No trecho "Ganância morre através da nossa própria ubiquidade" eles quiseram fazer uma crítica à indústria musical no sentido de que quando um artista é movido pela ganância, isso leva a tomar um caminho mais fácil, rápido, chegando a uma saturação e consequentemente à falha. Em relação à psicologia, percebo que o mesmo caminho também pode ocorrer. Assim como na indústria musical, o profissional de psicologia que opta por caminhos mais fáceis e imediatos me parece tender ao fracasso não só no âmbito profissional, mas também em relação a população que atende, seja ela qual for. Logo em seguida vem os trechos "Eu nego tudo, eu nego tudo isso" no sentido de que a banda no caso não pretende seguir esse rumo, mas sim oferecer um trabalho (no caso a música) com qualidade e esse é o seu "dogma".
            Está música utiliza uma série de palavras com conotação religiosa como símbolos e metáforas para transmitir a mensagem. No trecho "Enquanto eu aceito a escuridão, seu isolamento se torna cerimônia" a palavra "cerimônia" não é utilizada como cerimônia religiosa. No caso, esta parte indica que ao tomar a decisão de "aceitar a escuridão" (que os colocam em um caminho diferente de todo o resto, eu eu considero como a "claridade", em oposição) isto se torna o seu dogma.
             Pensando no meu papel enquanto psicóloga, desde o início de minha graduação tive em mente que não queria ser só mais uma psicóloga que faz as mesmas coisas (e até comete os mesmos erros!) Eu sempre quis fazer a diferença no mundo, mesmo que em um trabalho de "formiguinha" como o da psicologia. Esse sempre foi um dos meus objetivos aliás não só como psicóloga, mas também como ser humano, e continua sendo. A música então basicamente diz: "ao invés de se mais um ponto branco na imensidão já completamente branca, serei o ponto negro que fará a diferença". Refiro-me às cores preto e branco não só pela própria letra em si, mas também pelo próprio PV que o tempo inteiro mostra elementos em branco sendo cobertos pelo preto de diversas formas nesse dize de "farei a diferença e esse é meu dogma".



                  Por fim, Ruki também comentou que a ideia da música e do álbum como um todo é de a banda estar descobrindo quem realmente é e o que devem fazer de agora em diante; procurar um novo objetivo para a banda, uma ideia clara de quem eles são. Já depois de formada encontro-me nesse momento de continuar buscando quem quero ser não só como profissional, mas também como ser humano, encontrar o meu ponto de escuridão que me diferencia da imensidão esbranquiçada, "a escuridão que não deve misturar". E esta música traz essa ideia de sai do que é igual para todo mundo e escolher por algo novo. Sei que sou suspeita para falarm nas considero essa música um "master piece" em vários sentidos, tanto da melodia, a letra, o pv... Absolutamente tudo nessa música considero de extrema excelência e poder associá-la com a minha profissão só a torna ainda melhor. Apesar da música já ter três anos, considero-a atemporal, acredito que estamos sempre nos renovando nesse movimento de estar-sendo ao mesmo tempo em que tentamos estabelecer nosso próprio "dogma" pessoal.
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